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| Imagem retirada da web |
Sob este título, Stephen Kanitz, em sua coluna Ponto de Vista na revista Veja de 16 de julho, 2008, comenta: ‘ Sexo precisa ser divertido, mas o segredo do divertimento são o comedimento, a surpresa e o mistério, e não essa massificação e banalização a que estão nos submetendo’.
Concordo plenamente com o Sr. Stephen, realmente nos empurram goela abaixo e massificadamente o que teria que ser divertido, tão divertido que foi pensando nesta diversão, na incrementação do casamento, no aquecimento do sexo a dois, que outro dia ouvi minha querida esposa ser convidada por uma amiga consensual a irem a uma loja destas que comercializam acessórios que podem por fogo em qualquer vidinha medíocre de um casal carrancudo. A amiga iria adquirir uns “tais” acessórios, minha honorável esposa iria só como companhia.
O véu da noite se mostrava totalmente estrelado quando cheguei a casa e para minha surpresa ela estava às escuras, apenas iluminada por velas em pequenos castiçais que mostravam sombras bruxuleantes nas paredes, que serpenteavam suas sombras tal quais bailarinas exóticas orientais, uma dança dos véus estilizada.
Atravesso a sala entre temeroso e hesitante, chamava e ninguém atendia, o clima de mistério já tomava proporções gigantescas, meus batimentos cardíacos descompassavam-se freneticamente. O pavor começava a dominar a calma. Apesar de tudo, ainda assim eu avançava, passo a passo. Os cômodos estavam vazios e me aproximei do último; meu quarto de dormir em esta penumbra estava envolto em mistério, sob a cama, minha amada esposa, em pose de Cleópatra sobre o divã serpenteava o braço me convidando a acomodar-me na cama.
Vestia um peignoir curtíssimo e uma camisola aberta na frente, revelando aquele corpo já conhecido e percorrido pelos anos de convivência. Consegui atenuar o medo e, a excitação agora é que começava a ganhar espaço. Minha dileta esposa, então fez um movimento, que a princípio julguei ser um revolver ou alguma arma branca que vinha de baixo do travesseiro, onde minha adorável esposa colocara a mão, mas o que surgiu me surpreendeu mais ainda.
Eis que surge, por entre os dedos da minha venerável esposa uma peça que a primeira vista não distingui devido à escuridão do lugar. Avancei um passo e segurei a peça na mão e esticando-a, revelou-se que era uma cueca em forma de elefante com orelhas, olhos boca, trompa e tudo o mais que possa identificar tal paquiderme. Minha primeira reação foi rir, mas como sou uma pessoa de mente aberta, um cara esclarecido, um pseudo-intelectual da classe ‘C’, retirei-me para o banheiro e voltei com aquela peça íntima exposta no corpo já não tão jovem e esbelto. Parei em frente a minha inestimável esposa e pensando em incrementar ainda mais o clima, iniciei uma dança exótica, tipo estas de ‘axé-music’, foi quando minha maravilhosa esposa desatou a rir. Era uma gargalhada incontrolável; ela esmurrava o colchão, o travesseiro, e a gargalhada aumentava paulatinamente. Pensei nos vizinhos vindo bater à porta, questionando o volume; pensei na polícia, nos jornais, nas fotos que eles exibiriam, nos telejornais, e eu saindo algemado, uma toalha no rosto e o paquiderme balançando entre as pernas hirsutas em closes enormes.
Comecei a ficar constrangido, minha fenomenal esposa não parava de rir. Fiquei sério, e parece que deu certo pois minha digníssima esposa diminuiu a intensidade da gargalhada. Eu ali em pé, estagnado, as meias que eu calçava, pareciam coladas ao chão com colas de adesivo rápido. Até que de repente, minha alegre esposa parou, olhou-me e abriu um sorriso largo. Não entendi, patavina. Sacudi os ombros perguntando o ‘por quê?’ daquilo tudo.
Ela pega o lençol, enxuga as lágrimas que as intensas gargalhadas produziram, me olha e diz:
- Querido, não pude resistir!.... Quando te vi, dançando, eu vendo aquele elefante vindo na minha direção, as orelhas balançando, os olhos balançando e a tromba balançando, a língua balançando... A língua balançando?!!! Foi aí que vi que a tromba era bem maior que seu falo e ele vinha pendulando de um lado ao outro, como se estivesse morto, uma língua morta, não resisti... embrenhou em nova gargalhada...
Sentei no chão e chorei...

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